Cem anos das Pontifícias Obras Missionárias

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A Pontifícia União Missionária (POM)completa este ano um século de serviço à missão. Fundada pelo padre italiano, o bem-aventurado Paolo Manna, PIME, em 1916, a Obra foi declarada pontifícia em 1956 e sua atuação se espalhou pelo mundo.

Com o objetivo de celebrar essa história e projetar o futuro, foi realizado o 1º Encontro dos secretários e responsáveis da União Missionária no continente Americano. O evento reuniu, nos dias 8 a 11 de agosto, no México, 22 representantes de 13 países e contou com a presença do novo Secretário Geral da Obra, padre Frabrizio Meroni, PIME. Coordenada pelas POM no México, a programação incluiu celebrações e iluminação bíblica, partilha dos trabalhos nos países, reflexões sobre a vida do padre Paolo Manna e planejamento.

A Obra tem por finalidade educar a sensibilização missionária dos presbíteros e seminaristas, membros dos institutos de Vida Consagrada e Vida Apostólica, bem como dos leigos comprometidos com a missão universal.

Um dos destaques do encontro foi o diálogo com o padre Frabrizio, que propõe uma reformulação do Secretariado Geral da União Missionária, que segundo ele, perdeu sua eficácia. "O testemunho do padre Manna no início do século XX é verdadeiramente profético, mas hoje a realidade eclesial e cultural mudou. Percebe-se um declínio no interesse pela missão ad gentes, juntamente com uma crise na pastoral ordinária", afirmou padre Fabrizio. Além disso, "temos uma exagerada clericalização da ação pastoral; a missão aparece separada da pastoral e concentrada nas mãos de alguns organismos, congregações, movimentos e padres fidei donum sem impacto na vida da Igreja local de origem". Para superar essa visão, padre Fabrizio vê a necessidade de recuperar o primado de Deus na vida da Igreja. Em sua análise a crise nas Pontifícias Obras Missionárias, está no fato de elas serem percebida apenas como distribuidoras de dinheiro. Essa situação "acontece em âmbito internacional, em Roma, e não nas instâncias locais aonde as POM realizam animação e formação", observou. Nesse sentido, uma das prioridades na reforma do Secretariado Geral é estreitar a relação com os secretários nacionais e intensificar a formação missionária. A renovação deve acontecer também na comunicação feita pela revista Omnis Terra e Agência Fides, a cargo da União Missionária em Roma.

Como proposta, na América e Europa a União Missionária poderia trabalhar tendo a mídia como instrumento de evangelização e criar uma Faculdade de Missiologia bilíngue (espanhol e inglês) como espaço de reflexão missionária no contexto cultural dos continentes. Esta seria uma originalidade das POM. Na África, Ásia e Oceania, o investimento deveria ser na formação missionária permanente feita com recursos humanos e materiais da América e Europa e com o apoio do Secretariado Geral.

Para aprofundar a reflexão, padre Toribio Tapia Bahena, biblista e professor da Pontifícia Universidade do México guiou o grupo em um exercício de Leitura Orante sobre o discernimento. "Quando pensamos que tudo está bem, nesse momento as coisas efetivamente começam a piorar", argumentou o biblista ao chamar a atenção para a necessidade do discernimento para evitar a superficialidade na análise.

Atividades
A partilha dos trabalhos nos diversos países revelou muita sintonia, mas também algumas particularidades. Na Colômbia, a União Missionária uniu todos os mosteiros contemplativos em uma rede nacional de oração pelos missionários e as missões. A formação missionária para seminaristas e presbíteros, escolas de animação e uma Rede Nacional de Grupos Missionários, também fazem parte das atividades.

Para o secretário da Obra na Colômbia, padre Javier Alexis Henao, o encontro foi uma graça para celebrar o centenário da fundação ao lado da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no monte Tepeyac, cidade do México. Os participantes da reunião foram ao Santuário onde celebraram a Eucaristia aos pés da Padroeira da América. A missa foi presidida pelo padre Jaime C. Patias, IMC, secretário da União Missionária no Brasil.

Padre Athanasius George Williams, diretor das POM nas Antilhas, região formada por várias ilhas e 19 países, explicou que, "a Igreja por lá é desafiada pela idade avançada dos padres e a falta de energia para trabalhar na Nova Evangelização. A diminuição das vocações religiosas e sacerdotais vem afetando o crescimento da Igreja que continua a depender dos missionários estrangeiros, em especial da Índia, Filipinas, Nigéria e alguns das ilhas do Pacífico". Nas Antilhas existem 21 dioceses e uma população de 6 milhões. A senhora Morvette Thomas, secretária da União Missionária nas Antilhas acrescentou que, "a liderança da Igreja nos próximos anos tem de ser estrategicamente planejada, levando em consideração a secularização acelerada. Além de investir no clero, o envolvimento dos leigos formados será crucial para a eficácia da missão".

O diretor nacional das POM no Canada-francês, padre Yoland Ouellet, O.M.I., disse que o país ainda não tem secretaria da União Missionária. "Vivemos em uma cultura aonde a secularização é muito forte. Por isso, não temos muitos grupos de Infância Missionária ou de Juventude sem fronteiras", observou o religioso e destacou. "Há duas culturas: a mais tradicional entre os que falam inglês e os que vêm de diferentes culturas. Estes participam da vida da comunidade e vão à missa aos domingos. Mas o 'americano' ou a cultura moderna muda rapidamente a fé das outras culturas, que falam francês. Nesse grupo os jovens já não vão à missa, nem mesmo os pais e crianças. Somente os idosos participam. Os padres também são idosos e encarregados de muitas paróquias por que não temos vocações. Isso pode ser normal, mas se torna dramático para a missão numa cultura secularizada", ponderou. Contudo, padre Oullet avalia que esse cenário oferece uma oportunidade para a Nova Evangelização. "O nosso desejo é animar e oferecer formação missionária aos que estão envolvidos nessa missão".

As contribuições deste encontro serão aprofundadas na próxima reunião continental dos diretores das POM, em maço de 2017, e posteriormente enviadas aos secretariados nacionais e ao Secretariado Geral em Roma.

Fonte: www.pom.org.b